Fala-se em estar na cama com ou ir para a cama com, neste caso falo eu. Perceba-se que estar na cama com é coisa que faço com alguem que vale muito a pena. Com o que sofri percebe-se que só faço as coisas com amor, e é real que sei que neste momento a pessoa que amo precisa de definir ou redifinir toda uma vida.
Mas na verdade cada encontro transforma-nos, em especial a minha maneira de pensar.
Ontem no fim dele se ir embora, pensei, porquê?
Porque é que no fundo, conseguimos com tanta habilidade dos dois, dar a volta à questão de não termos falado inicilamente de alguma coisa, que podia tornar as coisas menos boas.
Assim foi. Ou melhor o que se tornou menos bom, tornou-se em alguma coisa de fantastico, com uma angustia enorme que me deu, mas que ao mesmo tempo, percebi que se falasse e não parasse iamos os dois dar a volta à questão. Demos voltas é certo, mas foram bem dadas. é dificil ter esta capacidade, se calhar nem eu prória nunca tive, não sei. Ele se calhar também nem pensou sobre isso. Será que noutra situação identica, com outra pessoa ia tentar dar a volta às coisas, ou ficava-se? Porque na busca do prazer, não há sentimentos, nem conversas. Quando há conversas e manifestações de sentimentos é que pode existir a preocupação de que cada vez que se está seja única… e maravilhosa… que valha sempre a pena… que nunca se esqueça cada promenor… dos fios de cabelo e dos corpos que se envolvem… como se fosse sempre a primeira vez, com um nervoso miudinho, que faz lembrar um certo estado de virgindade permanente, que é tão bom, sentido com este amor, que é o meu amor… ou melhor o nosso, acredito que no fundo me ames da mesma maneira que eu te amo, com um estado leve no coração e de aperto ao mesmo tempo, pelo medo (pelas diferenças, pelo futuro e tantas memórias vivas do passado).
Tudo ficou claro, contas feitas, emoções ao rubro e lá estavamos nós a dar a volta a todas as questões que se possam ser colocadas como menos boas, quando apareentemente só estamos na cama com alguem.
A diferença é tão simplesmente essa, não estamos na cama com…
Estamos com a pessoa, isso faz a diferença, e estamos com a pessoa que amamos, que vamos e estamos a fazer a amor, isso também faz a diferença. Percebi que se falasse do que não me tinha feito sentir tão bem, também seriamos capazes de não ficar quietos, e dariamos conserteza a volta à questão de maneira emq ue o prazer fosse não em dobro ou triplo, mas fosse o nosso prazer, o de dar e de ter… Só tendo a capacidade de amar é que se consegue dar a volta a tudo isto e amar ainda mais.
Jamais passadas tantas coisas que circularam e circulam entre nós, eu, mesmo eu, me daria ao trabalho, de ficar numa boa a olhar para ele e a falar, básicamente a ouvir. Ouvir o que ele sente. Tentando sempre percebê-lo e perceber-me, tendo o tempo como aliado, numa decisão que passa por uma vida, uma cominhão de uma vida.
Ontem vi o tempo como mediador, numa realaçõa que existe e que é boa, em que é esse mesmo tempo, que vai definir e mostrar tanto a um como a outro o que é bom para os dois. Aliás muito tempo tenho dado ao tempo para me mostrar isso mesmo.
Nunca e jamais em tempo algum da minha vida me dei ao trabalho de compreender alguem, num fim de um acto sexual em si, muito menos de sentir que estavamos ali os dois a pensar com carinho um no outro e que assim iamos falando da vida (mesmo que tenha sido mais da dele, onde muita coisa e muita gente esteja implicada), em que há guardadores de cabras, que são especiais, e que usam sempre um cajado rijo, para não vergarem enquanto o tempo passa.
O cajado está lá,
mas o tempo pode desgastá-lo há que ter cuidado,
com o desgaste que o tempo dá ao cajado.
