Imaginem o erro que eu estava prestes a cometer…
Com esta relação de amante ou o que seja, em que existe uma cumplicidade, de um ele e uma ela, fundidos num Nós… Excelente…
No entanto, tenho noção do que eu posso dar e até onde posso dar.
Situação que não tem sido muito fácil para mim, mas imagino que para ele não será melhor. Eu sinto-me livre acima de tudo, a não dualidade dele leva-me a uma liberdade incondicional, o que é bom.
Ele por um lado, de liberdade não deve ter nenhuma, a não ser quando se entrega por amor, ao mar e a alguém que verdadeiramente ame, porque se solta, fica levemente livre. No entanto o seu dia é feito de liberdades condicionadas por outros e outras, chegando ao fim do dia preso por presas que fazem dele refém de uma vida que gostariam de ter. É sistematicamente condenado à opinião de todos e todas que o rodeiam e é altamente crucificado, como menos bom e menos sério, pela sociedade que o rodeia. Por amigos, eu bem sei. E bem me custa. Acima de tudo os meus amigos defendem-me, como se defendessem o diabo. Esse preço eu não pago.
Ele não sabe o que dá e a quem dá, é condicionado porque não se pode dar, é condicionado nos sentimentos, é mutilado no amor que sente. Ele ama, eu sei. Não sei se ama a vida, se a ele próprio, mas ama a pessoa que sempre sonhou partilhar uma vida, momentos, raiva, alegria, enfim, ama incondicionalmente a pessoa que gostava que fosse sua. No entanto ele sabe que as pessoas são livres, muito mais livres quando percebem que não têm compromissos, quando não há nada para a frente, quando o amor é utópico.
O meu erro, estava em pensar, que mais uma vez estava certa quando enuncio e sofro pela felicidade dos outros, estava quase a esquecer-me de ser feliz – imaginem!
Achei que podia resolver a vida de um ser que tem dificuldade em se assumir, ou se assume de uma maneira muito sua, onde se ata com nós de marinheiro e se compromete com a liberdade condicional. Até certa altura, achei que podia dar opinião sobre a vida do outro, achei que tinha uma razão absoluta. Era mais uma pessoa a dizer o que tens que fazer… estava a ficar louca…
Por momentos pensei que poderia ser eu a decidir o que o outro tem de fazer, não lhe dando espaço de decisão, como poderia estar quase a cometer esse erro crasso, fatal, como a morte.
Eu que não suporto que se metem nas minhas decisões, na minha liberdade de pensamento, nas minhas escolhas, eu que não conto tudo, eu que vivo cada minuto comigo mesma, como se fosse a melhor pessoa do mundo, eu que me estimo e me cuido para mim mesma, para me agradar, eu que saiu de casa para dormir no melhor hotel da minha rua, como se fosse uma a amante de mim mesma.
Desculpa amor dos momentos,
amor da saudade,
amor da liberdade.
Estava a agarrar-te as asas desse amor,
que te dão liberdade para voar…
é a única coisa que tens…
e eu adoro ver-te voar…
ficas sonhador…
ficas o louco que amo,
na condição de te odiar,
quando deste amor não vier mais nada…
é puro…
Sonha,
enlouquece,
voa,
respira,
brilha,
acima de tudo ama-te
e vive muito bem contigo,
segura-te quando fores para cair,
ama quando tiveres a odiar,
liberta-te quando te agarrarem,
foge do medo,
grita e transpira a felicidade que os teus olhos emanam quando olhas para …
…a tua liberdade
E como se diz:
“Tudo o que amo deixo livre, se voltar é porque me pertence, se não é porque jamais me pertenceu”