Todos e todas as que têm lido as minhas estórias, têm percebido que este início coincidiu com o início de uma relação no mínimo diferente, prefiro chamar-lhe especial, assim é mais minha. É uma forma de achar que algo me pertence.
É uma relação que tem vindo a crescer e a acalmar uma paixão assulapada, com sexo a sair de orbita, mas com amizade, com momentos de toque e cheiro que só o meu cérebro se lembra e consegue recordar.
Tudo tem sido, verdadeiramente inesquecível, lembro-me de pormenores como me lembro de África, faço questão de os recordar muitas vezes, assim sei que vão estar mais tempo na minha alma.
Os dois a cantar um para o outro, os dois nus a apanhar um frio vindo de uma janela, o momento em que ambos atingimos um orgasmo tão intenso que é muito difícil de descrever, quando bebemos a água dos corpos um do outro como se tivéssemos uma sede que ninguém consegue saciar … enfim… tantos momentos… e as gargalhadas. E quando te tento acalmar, e quando me abraças como se me protegesses do mundo, e quando te imagino naquela piscina à noite, quase a chorar e a querer mudar um mundo, mas primeiro a vida…
… não há nada nem ninguém que me tire tudo isto…
É, e vai ser, uma relação a três, e nada disso me fazia confusão, até dar por mim a pensar que naquele sábado, em que passamos a noite juntos e fizemos amor, em que mais uma vez me entreguei a ti da forma mais pura que consegui, em que passamos uma noite estrondosa, a certa altura comecei a pensar que aquela relação com muito sexo, ia continuar no outro dia. Tornei-me estranha com o amanhecer. Afinal somos três, há dias que o sexo e o carinho começa comigo e acaba com ela. Há dias em que ele começa com ela, dormem agarradinhos e depois continua comigo. Há dias em que sou eu, há dias em que é ela.
Foda-se, que raiva, puta que pariu esta merda toda…
Ora eu, fodidíssima, prometo-lhe fidelidade? Do quê? Tenho que ser fiel a quê?
Dou por mim, num local, com pessoas lindas, as mais bonitas que os meus olhos já viram. Não é preciso prometer sexo a ninguém, não é preciso nada em especial, basta por conversa e todos se conhecem, todos bebem e todos fumam. Para mim foi estranho, mas ao mesmo tempo senti-me solta, estar sozinha continuar sozinha e conhecer pessoas de tanas partes do mundo. É muito bom. Estou sozinha, com pessoas engraçadas e muito bonitas, ele não está sozinho, tem as pessoas que o rodeiam, tem a namorada.
Na verdade não há ninguém que queira conhecer, nem o Deus Grego que vi na praia no outro dia, até posso dizer olá e de que pais venho, mas sigo, tenho objectivos definidos. Aliás esses objectivos parecem verdadeiramente ter mais significado quando ando com uma pessoa que não é minha, não me pertence, que tenho restrições, que não posso sonhar com o futuro, que não posso pensar em ter filhos, que não posso pensar em tantas coisas. Ou então penso-as de mais e acredito que jamais as posso ter. Ele nunca vai ser meu, ele não vai ser o pai dos meus filhos. A merda toda é que gostava, há uma coisa que gostava que ele fosse o pai dos meus filhos, sabem porquê?
Acho-o louco e muito ele quando está comigo, quando me telefona e está lixado com meio mundo, e o tento acalmar para tentar que ele dê a volta e se agarre verdadeiramente a / e às coisas que o façam feliz, no fundo que lhe dêem paz. Imagino-o, ou melhor, dou por mim a imaginá-lo a tratar-me muito bem enquanto grávida, dou por mim a andar ao pé no mar, grávida, e ele a vir de dentro do mar, desfeito, cansado, isto porque nem que ele tenha 60 anos vai surfar sempre, nem lhe permito outra coisa. Faz-lhe tão bem, deve ficar ainda mais bonito. Eu espero por ele cá fora, com os pés molhados, frios. Ele vem do mar, cai de cansaço, abraça-me os pés e eu sento-me, ele beija-me a barriga como se tivesse a dar um beijo à criança que passado um ano, vai estar cá fora e que ele me tira dos braços para lhe dar banho no mar. Tão bom… que sonho… que merda… que vida…
No fundo, sei que tenho o meu tempo, assim como ele tem o dele, nesta relação, que não quero desperdiçar, nem deixar, nem trair, estou-me a dar tal e qual como sou, e sei que é com amor, não me importo.
Vou ter o tempo necessário para começar tudo de novo, vou acabar uma parte da minha vida, e vou começar outra, é esse o tempo que vai determinar onde fica este amor/paixão já que me tenho dado tanto e às vezes não sei para quê. Mas continuo a apostar em nós, é importante para nós que eu volte à minha vida de sempre, é importante para mim que eu faça uma série de coisa, minhas. Depois sinto-me, sinto o que sinto por ti e por nós, vivendo sempre o nosso Nós de forma única, e aqui está o tempo que dita o tempo que te vou ter e que podemos vir a ter, mas só para nos fazermos felizes, não quero mais nada.
Quando chegar tenho uma coisa para lhe dizer, mais uma vez, vou ter que falar-lhe numa série de coisas, dele mesmo, gosto muito dele com amizade e quando isso acontece não posso deixar que outras coisas aconteçam, sem dizer nada. Tenho saudades de falar contigo fofinho. Até tenho saudades de jantarmos os dois. A isto dirias que se chama partilha não é?
Há uma coisa que penso – como te sentes se estivesses no meu lugar? Será que ele nunca se pós deste lado?