Estive horas, a falar com a minha namoca. Ea é uma ternura de pessoa, é como um anjo, dividido entre o amor de tantas pessoas da sua vida.
Acabamos de nos separar com beijinhos e abraços e forcinhas para o dia de amanhã. Na verdade vim no carro a pensar, depois de olhar para o telefone, na vida que tenho e na vida que quero ir a ter. Estou apertada de trabalho. Os livros são uma constante nesta altura da vida. Muito trabalho de investigação e preocupação que me dá cabo do sistema nervoso, mas com calma. Esta calma é da idade, é bom. Por outro lado, veio-me à ideia a conversa que tivemos em todo o seu esplendor. Falamos muito da figura amorasa que me persegue interiormente, em todas as possibilidades futuras. Foi como se tudo estivesse a ser colocado nos pratos da balança. E que bem que me fazia realmente por tudo nesses termos. Na verdade acabei por falar noutros aspectos relacionais da minha vida muito marcantes e definitivamente dos quais emergiram mudanças significativas na minha personalidade. Que cena. A minha vida deu uma volta, mas vai sempre dar ao mesmo local. Isso deixa-me preocupada. Se por um lado me sinjo a pensar no meu trabalho e na minha vida naquela cidade pequena. Por outro lado tenho medo de lá estar. Parece que não cresço. Não é que na capital tenda a ficar uma gigante, mas não é bem aqui também. Tinha vontade de dar uma volta grande à minha vida. Mais uma vez penso se não estaria fugir. A fuga das galinhas.
Confesso à coisa na vida que gostava de fugir delas, à pessoas que não gosto, há trabalho que não aprecio, há locais que não me dizem nada, há situações que odeio. E mais uma ou outra vez continuo a fazer rotunda e a circular numa imensidão de coisas que se vão amontoando e tornand angustiantes. Há um dia que, vão ver, faço a merda da rotunda em frente, e vai tudo pelos ares.
Mais ou menos como quando pego no carro, olho em frente, vejo o fundo da estrada, olho o velocimetro, olho, e vou avançando na estrada como se ela fosse minha, sem medo do que pode acontecer, com o ponteiro da velocidade a tentar bater o seu recorde pessoal e com o motor do carro a gritar de raíva. E se fosse tudo pelos ares – ía -puta que pariu.
Brincadeiras da vida, com carros como se fossem armas que nos fazem delirar, e ter coragem para deixar de contornar a nossa vida e seguir em frente na rotunda e a uma velocidade de quam quer viver hoje sem deixar nada para amanhã.
Isto eu faço sempre. Continuo a escrever perdida no que disse. Continuo a pensar que seria um bom dia para ir à noite dar uma volta de carro, fumar o cigarro e sentir o motor do carro a falar comigo, a gritar. Sinto -me feliz por muitas coisas da minha vida, muito feliz. Sinto – me revoltada com uma série de outras coisas, que me deixam puta de raíva e que só me apetee espancar meia dúzia de gente parava que se vem atravessando no meio caminho e outra meia dúzia que me queriam ir ao cú e que eu não deixo.
Sinto vontade de mudar, sinto vontade de me soltar, sinto vontade de voar….
Com tantas merdas, ainda bem que vou viajar…
Vamos ver se é desta que acalmo e consigo por os pontos nos is à minha vida. Estou desoja desta viagem. Pelas saudades que vou ter, vão ser mais que muitas. Mas também porque preciso de observar de longe a imensidão de quem ama, de quem gosta, de quem faz cenas… Preciso de olhar a minha vida de longe. Preciso mais do que um bom vinho, preciso de apreciar o que pode ser uma grande obra, e de ganhar muita frça para a construir, ou do que vai ser uma grande derrota, e um desabar de um amor que não existe ou nunca existiu. Aprendi a pensar nas viagens que faço. Nunca mais vou parar de o fazer. Morro muito, viajo sem dinheiro, mas fico afurtunada em conhecimento e pensamentos, culturas, fortunas mundias de cidades, mares, areia, verde…
Sempre na esperança de chagar melhor, para enriquecer os que comigo são eternos na saudade e esperam por mim como a sede espera pela água, como o sexo não está para os anjos, como o red wine é a bebida mais espiritual que existe, dá cor e vida aos que saciam o prazer com um bom copo do nectar dos deuses.
Começei com as conversas com a minha amiga e acabo com a angustia e o desejo de um mundo melhor.