Sem darmos por isso,
como por brincadeira e magia
envolvemo-nos.
Rimos, sentimos, desejamos.
São condições, extremas, em sermos as amantes.
Não amantes no sentido de amor,
mas no sentido de poder, de risco, ousadia.
Usamos e abusamos do sexo, da manipulação, da arrogancia.
Fazemos de desejo a nossa porta de entrada e da dor a porta de saída.
Vivemos uma vida de prazer quando é só o que queremos,
tratamos o outro com carinho aparente mas com indiferença e desdêm.
Limitamo-nos a frequantar carros e hoteis, ruas perdidas e escuras.
Vamos para casa e o banho lava-nos o pecado original.
Não nos lava os sentimentos,
não nos lava a paixão,
não lava a dedicação,
às vezes lava o amor próprio.
A Amante que ama, sonha sempre, no dia em que será mais o que isso.
Esse dia fica longe, pode não estar neste país, não está ao nosso alcance.
Esse dia é um sonho, que não vai ser real, diz-me a experiência.
O único sonho que podemos ter é o de uma noite.
Vivemos assim bem ou mal, mas é que resta.
O que resta dos homens cobardes, infiéis, desonestos, que só se amam a eles.
que fodem nas esquinas,
que labem qualquer gaja que lhe apareça à frente.
que põem causa a sua saude e da mulher que está na cozinha.
Os homens que me dão nojo,
quem nem a eles próprios sabem amar,
que não têm liberdade, que não escolher, que nunca vão ser felizes.
Estes nunca vão ser os grandes homens, mas os grandes cabrões com que fui habituada a viver.
São de certeza os que me dão liberdade, para ser solteira, para fazer jogo de saia, para ser a liberdade,
para me rir deles, para trabalhar com inteligência e perspicácia.
Posso ser amante de algum, literalmente que sim…
Sou a amante com a condição do amor, dos momentos, da amizade, da felicidade.
Por ser amante, tenho um Preço: Liberdade, Cobardia e Amor.
São as três moedas com que algum homem na vida me poderá levar e ter para o resto da vida.
Se ele existe não sei,
vivo a acreditar que sim…
… AFINAL ACREDITO NO AMOR, NUMA CASA NA PRADARIA, E NO PAI DOS MEUS FILHOS…